Quarenta e uma horas a correr, 41 voltas e quase 275 quilómetros nas pernas. Mickael Reis levou a resistência a um novo patamar no Campeonato do Mundo por Equipas de Backyard Ultra, disputado em Ansião (mas não só), onde estabeleceu a melhor marca pessoal da carreira.
O atleta da Lagoa do Furadouro completou 274,930 quilómetros e melhorou em duas voltas o registo de 39 que tinha alcançado no Trilho dos Cágados e que lhe valera esta qualificação para representar a Seleção Nacional no Mundial, realizado entre 17 e 19 de outubro.
Aos 37 anos, Mickael Reis foi um dos 15 atletas escolhidos para representar Portugal. Entre os portugueses, foi o quarto a permanecer mais tempo em prova, numa competição que decorreu simultaneamente em vários países e envolveu 990 atletas de todo o Mundo.
As 41 voltas colocaram-no no 229.º lugar da classificação mundial, mas o dado mais significativo foi a superação da sua própria barreira: pela primeira vez, Mickael conseguiu manter-se em competição durante mais de 40 horas numa Backyard Ultra.
Portugal também terminou o Mundial com um novo máximo coletivo. A seleção acumulou 462 voltas, resultado do esforço conjunto dos 15 representantes nacionais.
A presença no Mundial prolongou uma fase particularmente intensa para o atleta de Ourém. Recentemente, Mickael Reis tinha vencido o ACURETO Backyard Ultra, em Toucinhos, outra prova disputada neste formato e que juntou centenas de pessoas naquela localidade do concelho.
A temporada tem sido feita de distâncias pouco comuns mesmo no universo da ultrarresistência. Mickael completou também os 281 quilómetros do PT281+ e enfrentou os 200 quilómetros do Oh Meu Deus – Serra da Estrela, desafio que realizou ao lado do irmão Nicola Reis.
No Backyard Ultra não existe uma distância previamente definida nem uma meta tradicional. A cada hora, todos os atletas ainda em prova têm de partir para uma nova volta de 6,706 quilómetros. Quem termina mais cedo aproveita os minutos restantes para descansar, comer ou recuperar; à hora certa, é obrigatório estar novamente na partida.
É essa sucessão que transforma a prova numa batalha contra o desgaste. No caso de Mickael Reis, o relógio voltou a dar a partida 41 vezes antes de terminar a sua participação.
Saiu de Ansião depois de quase dois dias consecutivos de competição, com 274,930 quilómetros percorridos, uma participação pela seleção nacional e uma nova referência pessoal para tentar superar no próximo desafio. NOD 2026.10.23

























