

Já com a renovação oficializada, Tiago Rodrigo Reis assume a sua quota de responsabilidade nos maus resultados da temporada passada, mas lembra a conquista da Taça Distrital como um feito inédito na história do clube. Jogar o Mundial, a Supertaça e a Taça das Taças a abrir a nova temporada, será mais um desafio para encarar de frente: “Estamos preparados para disputar os três títulos.”
Derby – A renovação era o cenário mais provável, tendo em conta a qualidade do seu trabalho e a excelente relação que existe entre clube e treinador. Satisfeito?
Tiago Rodrigo Reis – Sim, estou onde quero estar e onde as pessoas me querem. Posto isto, não haveria outra forma que não fosse ficar no clube e continuar a trabalhar para tentar conquistar mais títulos.

Derby – Pela primeira vez em muitos anos, o Seiça não conseguiu qualificar-se para a Fase Nacional. O que é que explica esta quebra de rendimento?
Tiago Rodrigo Reis – Primeiro e antes de começar a responder, quero deixar aqui um agradecimento ao Derby pelo acompanhamento de equipas e pessoas ligadas a essas equipas, que normalmente não iriam ter esta visibilidade. Agradeço também pelo convite para falar da época do Seiça e do futuro.
Sim, é uma verdade e estamos cá a dar a cara por essa falha nos objectivos traçados. E eu treinador assumo a minha parte por não termos conseguido um objectivo, mas foi uma época algo atribulada em que fomos assolados com algumas lesões em momentos cruciais da época e o plantel não sendo muito extenso notou-se um rendimento abaixo do esperado. A este nível nem sempre é fácil ter um número expressivo de atletas a treinar o que torna a tarefa ainda mais difícil. A época que passou já foi uma época de renovação e irá continuar a ser assim no futuro.
Derby – Por outro lado, fecham a temporada com a conquista de um troféu inédito na história do clube. Foi o terceiro troféu conquistado, enquanto treinador do clube do coração. Que análise faz ao seu desempenho enquanto treinador principal do Seiça?
Tiago Rodrigo Reis – Foi o meu terceiro troféu conquistado como treinador do Seiça. Em 2019, quando voltei para o Seiça como treinador principal, ganhámos logo a Supertaça Distrital, no início de uma época que viria a ser interrompida pela Covid-19.

O balanço tem de ser positivo. Eu e a minha equipa técnica temos lidado com muitas adversidades, nunca tivemos “épocas normais”, é o que costumamos dizer. Em 2019/20, quando entrámos, conquistámos a Supertaça e estávamos a fazer um campeonato regular, até que foi interrompido pela pandemia; em 2020/21, a época não chegou a arrancar; em 2021/22, com muitas perdas no plantel e com um plantel muito curto em número de jogadores, conseguimos ser campeões distritais e chegar à final do Nacional; em 2022/23, apesar de termos tido muitas dificuldades a nível de lesões no plantel, conseguimos chegar à final da Taça e vencer o único troféu que faltava na vitrine do clube a nível distrital.
A nível pessoal, a minha equipa técnica tem todos os troféus que existem a nível distrital, no Inatel de Santarém. E para perceberem o por quê de eu dizer que nunca tivemos “épocas normais”, este ano será ano de Mundial. O Seiça será uma das três equipas que vão representar Portugal em Itália. O Mundial costuma ser disputado em junho, no final da época, mas este vai ser jogado em setembro, no início da temporada. Ou seja, vai mexer com todo o planeamento de pré-época.
Derby – A conquista da Taça INATEL salva a temporada ou pesa mais o amargo de não se qualificarem para as eliminatórias da Liga, nem para a Fase Nacional?
Tiago Rodrigo Reis – Uma conquista é sempre uma conquista, seja do que for. Ainda por cima foi do único troféu que o clube ainda não tinha a nível distrital. Portanto, estamos muito contentes com o feito. No entanto, claro que estamos tristes por não ter conseguido um dos objectivos principais do clube, da equipa técnica e dos jogadores, que era ter chegado ao Tetra.
Derby – O Seiça ainda é a cadeira de sonho do mister Tiago Rodrigo Reis?
Tiago Rodrigo Reis – Foi. É. E continuará sempre a ser a minha cadeira de sonho independentemente do que o futuro me poderá reservar.

Derby – O Seiça arranca a próxima temporada a jogar a Supertaça regional e também a Taça das Taças, juntamente com os outros vencedores a nível nacional. Tendo em conta as dificuldades verificadas durante a temporada que agora termina, sente que o clube está preparado para responder a todas estas exigências competitivas?
Tiago Rodrigo Reis – Temos estado a trabalhar nesse planeamento, tanto a nível de época, como de jogadores e até de equipa técnica.

A juntar a essas duas competições, este ano ainda temos o Mundial. O que torna tudo diferente novamente: início da pré-época em agosto, ir ao Mundial em setembro, e depois quando voltarmos, temos de focar novamente em pré-época/pré-competição para disputar pela primeira vez esse título nacional da Taça das Taças.
Depois, ainda antes de iniciar o campeonato, temos também a Supertaça Distrital. Ou seja, estamos cientes das dificuldades que serão impostas neste início de época, mas acho que estamos preparados para encarar isso de forma a disputar os três títulos.
Derby – Enquanto treinador principal, com títulos conquistados e também com um investimento grande na sua formação enquanto técnico, até quando as competições do INATEL serão suficientes para que o mister se sinta realizado?
Tiago Rodrigo Reis – Neste país, infelizmente vivemos muito do passado, gostamos de viver dele e dos títulos conquistados. É algo que devemos respeitar, mas isso será sempre o passado, prefiro concentrar-me naquilo que o presente me dá e o que o futuro poderá dar, é mais interessante.

Quando ganho alguma coisa, gosto de festejar naquele dia. O dia seguinte já é a pensar no próximo. Acontece o mesmo quando não se ganha. A visão terá de ser sempre trabalhar para chegar à próxima conquista. Vou vivendo desta forma, não quero ganhar a todo o custo e tento ao máximo ser humilde, honesto, ético e respeitar todos os intervenientes do jogo.
Sinto-me bem a este nível, mas se um dia se proporcionar outra coisa, terá de ser sempre algo próximo do que o Seiça me oferece, que que passa por estar sempre na luta por títulos. O investimento em formação irá continuar porque é o que nos mantém vivos. Aprender e acrescentar conhecimento todos os dias.




