A diferença de argumentos é inquestionável, o momento das duas equipas dificilmente poderia ser mais distinto e o favoritismo está todo do lado visitante. Mas é precisamente para jogos assim que existe a Taça de Portugal. Este domingo, às 15h00, o CD Fátima recebe o Académico de Viseu, no Estádio Papa Francisco, na 3.ª eliminatória da prova rainha.
Nuno Kata não procura esconder a dimensão da tarefa. O Fátima vem de três derrotas consecutivas no Campeonato de Portugal e encontra pela frente uma das grandes sensações deste início de temporada na Liga 1. «Será um jogo difícil onde, infelizmente, vamos apanhar a equipa num bom momento, enquanto a nossa vem de uma derrota que não estávamos à espera, frente aos Nazarenos», reconheceu o treinador fatimense, em declarações ao Jornal de Leiria.
O Académico chega à Cidade da Paz no 6.º lugar do principal campeonato português e embalado por quatro vitórias consecutivas, diante de Gil Vicente, Vitória de Guimarães, Estrela da Amadora e Estoril. Um arranque que contrasta com as dificuldades recentes do Fátima, 10.º classificado da Série 3 do Campeonato de Portugal.
A Taça, porém, tem mostrado outra versão da equipa de Kata. Os fatimenses venceram os dois jogos realizados na competição, primeiro diante do Benfica e Castelo Branco (3-1) e depois frente ao Vinhais (4-1), ganhando o direito a uma tarde especial perante um adversário da elite.
É também dessa diferença que Kata pretende retirar motivação. «Queremos usufruir e tirar partido do jogo, dentro das poucas possibilidades que sabemos que temos. Queremos tentar ganhar. Temos a possibilidade dos 90 minutos, do prolongamento e dos penáltis», afirmou.
Do lado contrário haverá mudanças. Bruno Pinheiro antecipou, em declarações aos canais oficiais do Académico de Viseu após a vitória sobre o Estoril, que pretende aproveitar os compromissos das Taças para rodar uma equipa que tem respondido em grande nível na Liga. «Vai haver muitas mexidas, certamente», assumiu o técnico, justificando a opção com a confiança que deposita em todo o plantel.
Rotação não significa, porém, menor ambição. «São jogos a eliminar, mas queremos ganhar», vincou Bruno Pinheiro, garantindo acreditar que, «jogue quem jogar», o Académico tem condições para vencer.
O treinador viseense tem, aliás, uma relação feliz com a Taça de Portugal. Soma dez vitórias em 14 jogos na competição e já chegou às meias-finais como treinador do Estoril. O próprio Académico também sabe o que é chegar longe: em 2019/20 atingiu as meias-finais, sendo eliminado pelo FC Porto.
Mas este Fátima-Académico transporta consigo muito mais do que a diferença atual entre os dois clubes. É um reencontro com mais de duas décadas de espera. A última vez que se defrontaram foi há 21 anos, numa época em que ambos competiam na antiga 2.ª Divisão B.
Nuno Kata conhece esses duelos de um lugar muito diferente daquele que ocupará este domingo. Estava dentro das quatro linhas e guarda particularmente na memória uma deslocação ao Fontelo. «Lembro-me que fizemos uma grande exibição, até foi o jogo onde fui visto pelo Feirense, que, na altura, veio buscar-me», recordou ao Jornal de Leiria.
Há outra curiosidade que liga esse passado ao presente de Ourém. A 25 de abril de 2001, Kata estava no meio-campo do Fátima numa visita ao Académico e Luís Albuquerque defendia a baliza fatimense. Vinte e cinco anos depois, Kata é treinador do Centro Desportivo e o antigo guarda-redes é presidente da Câmara Municipal de Ourém desde 2017.
O próprio cenário mudou. Kata recorda os tempos em que o Fátima jogava no antigo João Paulo II, num período em que as bancadas recebiam regularmente grandes assistências. Este domingo, será no Estádio Papa Francisco que os dois clubes voltarão finalmente a encontrar-se.
E o treinador espera que a ocasião volte a levar muita gente ao futebol. «O Académico de Viseu também tem muitos adeptos e estamos à espera de uma enchente», afirmou. Os ingressos custam 7,50 euros, com abertura das bilheteiras às 13h00 e das portas do estádio às 14h00.
Às 15h00, desaparecem as comparações de escalões e classificações. Fica um Fátima-Académico que não se vê há mais de duas décadas, uma equipa da casa sem nada a perder e um adversário da 1.ª Liga que não pretende facilitar.
É dia de Taça em Fátima.






















