Categoria: Reportagens

Quem passa por Alcobaça… só pára na final! Seiça já sonha com o tricampeonato nacional

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Tommy Remédios e Ângelo Marques fizeram os golos da vitória seicense

assinatura-derby-cronica-212x300 Quem passa por Alcobaça... só pára na final! Seiça já sonha com o tricampeonato nacional

No palco dos sonhos… outra vez. O Grupo Desportivo e Cultural de Seiça qualificou-se para a final da Fase Nacional da Liga INATEL, depois de eliminar o histórico Ginásio Clube de Alcobaça.

Tommy Remédios e Ângelo Marques fizeram os golos da vitória, num jogo dominado pelos oureenses, do primeiro ao último apito. Aliás, o GDC Seiça podia ter-se despedido dos seus adeptos com uma goleada histórica, tantas foram as oportunidades de golo que o guarda-redes contrário evitou.

Depois de eliminar Cano e São Pedro de Alva, o Seiça recebeu um rival que também chegou às mesmas finais depois de duas taludas nos quartos e nas meias. Tal como os oureenses, também os alcobacenses venceram as duas eliminatórias anteriores no desempate por penaltis.

Agora, não foi preciso. Em bom rigor, esse cenário pareceu sempre fora de hipótese porque o Seiça entrou pressionante e apostado em resolver o jogo rapidamente. Aliás, quando Tommy abriu o ativo, o relógio marcava apenas 13 minutos e o Seiça até já tinha tido oportunidade para marcar dois golos (4’ e 12’).

E quando o árbitro apitou para o intervalo, já o Seiça tinha criado mais duas oportunidades soberanas (28’ e 40+1’). É ver o filme.

Na 2.ª parte, mais do mesmo: o Alcobaça preso na teia e o Seiça a dar tudo pelo bilhete para a final. O guarda-redes contrário submeteu mais duas candidaturas à defesa da tarde (57’ e 60’), mas teve de se conformar com o chapéu que Ângelo que lhe meteu. Percebendo o adiantamento do guardião, o capitão teve cabeça para pensar, marcar (67’) e sentenciar.

Com o bilhete para a final no bolso, o Seiça entrou em piloto automático e o Ginásio atirou a toalha ao chão, rendido à supremacia do tricampeão distrital de Santarém.

Tiago Rodrigo Reis acertou na mouche: perante uma equipa jovem e irreverente, o treinador do Seiça montou a estratégia com base num verdadeiro jogo de paciência. Sem correr riscos desnecessários, esperando pelo adversário para o poder surpreender.

Os golpes foram-se sucedendo ao longo de todo o jogo e o resultado só peca por escasso, embora não custe reconhecer que uma goleada talvez fosse um castigo demasiado penalizador para a atitude combativa dos campeões distritais de Leiria.

Domingo, todos os caminhos vão dar a Lisboa! O Grupo Desportivo e Cultural de Seiça está na final da Fase Nacional e já só pensa em repetir a festa feita em 2015/16 e 2016/17. Pela frente, os oureenses terão outro Ginásio. Nada mais, nada menos que o Ginásio Clube de Sines, formação do distrito de Setúbal e finalista vencido da Liga INATEL Beja.

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Tommy quebrou a resistência do adversário com um golo pleno de oportunidade
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O capitão Ângelo teve ação direta nos dois golos, contribuindo decisivamente para o triunfo

Do triplete nos nacionais ao título na Distrital. Fátima é escola de formação com nota de excelência

cdfatima-formacao Do triplete nos nacionais ao título na Distrital. Fátima é escola de formação com nota de excelência

Inédito. Histórico. Soberbo. Incrível. É difícil encontrar objetivos para qualificar o que acaba de alcançar o Centro Desportivo de Fátima. Pela primeira vez na sua história, os grenás colocam três equipas da formação nos escalões nacionais e consolidam o estatuto de entidade formadora de excelência, a nível local e regional.

A iniciados e juvenis, juntam-se os juniores, recém-sagrados campeões da 1.ª Divisão Distrital da AF Santarém. Três equipas nos campeonatos nacionais do respetivo escalão, a partir da próxima temporada, sem esquecer a cereja no topo do bolo: os seniores acabam de conquistar a 2.ª Distrital, subindo à 1.ª com um plantel construído à base de jovens formados no clube.

Perante a solenidade do momento, o Derby partiu em busca do segredo do sucesso. Fomos aos bastidores da Academia Padre António Pereira, conversámos com os seus responsáveis e damos a conhecer as linhas mestras da formação grená.

Fomos recebidos por Bruno Neto, um oureense da Aldeia Nova, que é responsável pelo futebol de formação do CD Fátima há quatro temporadas. Perguntámos sobre os requisitos fundamentais para vestir o manto grená… e fomos surpreendidos pela pedagogia da resposta.

“Os miúdos não vêm para cá para serem campeões! Vêm para se formarem enquanto homens com valores. Essa é a chave da nossa filosofia. Os resultados não são prioritários e os nossos jogadores sabem desde cedo que não vale tudo para ganhar”, explica-nos Bruno Neto, coordenador técnico do Centro Desportivo de Fátima, numa entrevista exclusiva para ler aqui.

Bruno Neto acaba de passar a pasta, encerrando um ciclo que coincidiu com a sua terceira passagem pelo clube. “Tendo em conta o perfil e a forma de estar da pessoa que vai assumir o cargo, acredito que a maneira de trabalhar do clube não vai sofrer grandes alterações”, considera.

Anos incríveis
Sob a tutela de Bruno Neto, o Centro Desportivo de Fátima colocou as três equipas principais dos escalões do futebol juvenil aos campeonatos nacionais. Trata-se de uma proeza inédita a nível concelhio e rara na esfera regional.

“Colocar iniciados, juvenis e juniores nas provas nacionais, em simultâneo, foi um objetivo que assumi desde o primeiro dia neste cargo. Conseguir este objetivo em tão pouco tempo? Se calhar não estava bem ciente disso…”, confessa, orgulhoso.

“Defendo a formação de jogadores de uma forma quase separada da obrigatoriedade de atingir resultados. O que acabámos de atingir, é a prova de que as coisas funcionam. Com a organização que temos – e não é fácil encontrar uma organização como estas em qualquer clube – os jogadores gostam de estar cá e os melhores também querer vir para cá. A juntar a tudo isto, temos um naipe de treinadores muito bom, do melhor. Portanto, acabou por ser fácil alcançar estes feitos”, assume o coordenador técnico.

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O coordenador Bruno Neto com os dirigentes Pedro Gil, Rui Nobre e Ivo Lopes, na gala de encerramento da temporada 2018/19 | Colorfoto ©

“Nunca viram um clube tão bem estruturado como o CD Fátima”
Rui Nobre, vice-presidente do Centro Desportivo de Fátima e responsável pelo pelouro da formação, acredita que não há razões para alterar a filosofia, muito menos a forma de trabalhar instituída ao longo dos últimos anos.

“Temos aqui vários jogadores que já passaram por outros clubes, inclusive a nível nacional, cujos pais nos dizem que nunca viram um clube tão bem estruturado como o CD Fátima”, garante Rui Nobre, orgulhoso pelo alto nível organizacional a que o clube chegou.

A importância de saber lidar com os pais
O Derby conversou igualmente com Pedro Gil, diretor da Entidade Formadora e responsável pelo processo que resultou no estatuto de um dos únicos dois clubes do Distrito de Santarém com 4 estrelas atribuídas pela Federação Portuguesa de Futebol (e o outro também é do Concelho de Ourém: Clube Desportivo Vilarense).

“O segredo do sucesso tem realmente a ver com a qualificação dos treinadores”, considera Pedro Gil, detalhando: “É uma condição essencial. Nada tenho contra o típico treinador que é treinador só porque foi jogador e depois tirou o curso. Nada. Só que considero que é bem diferente para melhor, quando temos alguém que fez formação superior na área do desporto e ou da educação. Porquê? Porque tem conhecimentos de disciplinas como pedagogia, de psicologia, entre outras. Sabem lidar com os miúdos e também sabem lidar com os pais. E isto é muito importante! Se um clube conseguir manter os pais satisfeitos, é meio caminho andado para evitar aqueles problemas que não servem para nada e que não nos levam a lado algum. Aqui, os pais confiam em nós.”

Um coordenador na pele de diretor de turma
Tal como na maioria dos clubes, Pedro Gil assume episódios de insatisfação protagonizados por alguns pais mais descontentes, mas garante que a diferença está na forma como o CD Fátima gere cada caso.

“Naturalmente que também temos cá pais descontentes. Isto não é um regime militar, mas é um centro de formação. Há uma hierarquia que tem de ser respeitada. Quando um pai está descontente, não chega aqui e vai disparatar com o treinador. Nada disso. Se há insatisfação, ela é manifestada junto do nosso coordenador, que atua como um filtro. Se a coordenação não conseguir resolver o problema, entra em campo a direção. Mas o treinador nem é chamado ao caso. É como nas escolas. Se um pai tem um filho que não esteve bem a matemática, esse pai vai falar com a diretora de turma e não com o professor de matemática. Aqui, o nosso diretor de turma é o coordenador”, explica.

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“Não queremos jogadores contrariados”
Pedro Gil assume que outro dos segredos do sucesso fatimense está na motivação dos atletas. “Não queremos jogadores contrariados. Se um atleta não está bem, a equipa também não fica bem, nem o próprio treinador. Quando um jogador nos diz que não se sente aqui bem e quer ir embora, recorremos ao nosso departamento de psicologia, que avalia a situação. Se não houver outra maneira, passamos a carta e deixamos sair. Não dificultamos a vida aos jogadores, ao contrário de alguns clubes”, garante, reforçando: “Infelizmente, nem todos os clubes procedem de igual forma. No nosso caso, ficamos muito contentes quando outros clubes dos nacionais vêm cá buscar jogadores. É um sinal de que estamos a trabalhar bem. Por isso, custa-me compreender que os clubes que estão num patamar competitivo inferior, dificultem a vida aos miúdos que querem vir jogar para cá.

A cereja no topo do bolo
A consagração do Centro Desportivo de Fátima enquanto campeão distrital da 2.ª Divisão mais não é que a prova cabal do trabalho de excelência que é realizado na Academia Padre António Pereira.

“Fomos campeões com um plantel praticamente composto por jogadores da formação. Aliás, só dois jogadores não passaram pelos escalões de formação do Centro Desportivo”, garantem Pedro Gil e Rui Nobre, satisfeitos e realizados com a concretização de um objetivo assumido pela direção do clube, desde a primeira hora em que foi deliberada a reativação da equipa sénior.

Fé no futuro… sem contos do vigário
Longe dos tenebrosos tempos em que a propalada SAD do CD Fátima manchou a imagem do clube, os grenás respiram agora saúde e encaram o futuro com otimismo.

Os campeonatos profissionais voltam a estar na mira, mas respeitando um dever sacramental: formar homens com valores, sem abdicar de uma gestão financeira rigorosa e capaz de garantir o futuro deste emblema cinquentenário.

“O projeto do CD Fátima passa, essencialmente, pela formação. Queremos que os miúdos continuem a sentir o clube mesmo quando vão formar-se academicamente longe daqui. É perfeitamente normal que saiam do clube e da cidade para prosseguirem os estudos e a formação académica. E o ideal é que voltem quatro anos depois, já licenciados. O CD Fátima cá estará para os receber com todo o gosto, e integrar na equipa sénior, se for o caso. Aliás, a nossa equipa sénior deste ano, tem muitos casos de jogadores que foram formados neste clube, mas estiveram sem competir vários anos e só voltaram porque reativamos o futebol sénior”, conclui Pedro Gil.

Exclusivo Derby! “Não é fácil encontrar um clube tão organizado como o CD Fátima”

 

 

Exclusivo Derby! “Não é fácil encontrar um clube tão organizado como o CD Fátima”

futebol-cdfatima-brunoneto-1 Exclusivo Derby! "Não é fácil encontrar um clube tão organizado como o CD Fátima"

 

Quatro anos depois de ter regressado ao Centro Desportivo de Fátima, para assumir a coordenação do futebol de formação, Bruno Neto passa o testemunho mas deixa um legado absolutamente inédito, plasmado na presença de iniciados, juvenis e juniores nos campeonatos nacionais, sem esquecer a consagração da equipa sénior enquanto campeã distrital da 2.ª Divisão, com um plantel recheado de jogadores ‘made in CDF’.

Entrevista Derby com Bruno Neto

Derby – A pergunta é inevitável: qual é o segredo do sucesso da formação do CD Fátima?
Bruno Neto – O segredo é o todo. Primeiro, há que realçar a retaguarda que a direção do clube sempre deu a todas as decisões que foram tomadas. Em alguns clubes, há coordenadores que decidem bem, mas depois vem um diretor e diz que tem de ser o contrário…

Aqui não! Está tudo programado entre a direção e a coordenação. Há cerca de 15 pessoas que trabalham na coordenação do Centro Desportivo, mas há duas delas que estão intimamente ligadas ao futebol de formação: Pedro Gil, diretor da entidade formadora; e Rui Nobre, vice-presidente do clube. Estão sempre presentes, a qualquer hora, a qualquer dia, conferindo um apoio e uma retaguarda fundamental.

Outro factor fundamental é que os miúdos não vêm para cá para serem campeões. Eles vêm para se formarem enquanto homens com valores. Essa é a chave da nossa filosofia. Os resultados não são prioritários e os nossos jogadores sabem desde cedo que não vale tudo para ganhar.

Conseguir filtrar as informações que nos chegam dos pais dos jogadores, também é decisivo. Por norma, aconselhamos os treinadores a nem sequer terem relação com os pais dos atletas. Isto traz-lhes paz e permite foco total no processo de treino e da própria aprendizagem.

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Em plenos festejos do título distrital dos Sub-19

Derby – A partir da próxima época, terão as três equipas principais da formação nos nacionais. Acreditava nisto quando assumiu o cargo?

Bruno Neto – Colocar iniciados, juvenis e juniores nas provas nacionais, foi um objetivo que assumi desde o primeiro dia neste cargo. Conseguir este objetivo em tão pouco tempo? Confesso, que se calhar não estava bem ciente disso…

Derby – Defende um modelo de formação sem a pressão dos resultados, mas acaba por vencer em todas as frentes. Este sucesso coletivo é também a prova que é possível ganhar sem perder de vista os verdadeiros princípios do desporto?

Bruno Neto – Defendo a formação de jogadores de uma forma quase separada da obrigatoriedade de atingir resultados. O que acabámos de atingir, é a prova de que as coisas funcionam. Com a organização que temos – e não é fácil encontrar uma organização como estas em qualquer clube – os jogadores gostam de estar cá e os melhores também querer vir para cá. A juntar a tudo isto, temos um naipe de treinadores muito bom, do melhor. Portanto, acabou por ser fácil alcançar estes feitos

Derby – Ter bons treinadores, também ajuda. Qual o critério para assumir o comando de uma equipa no clube?
Bruno Neto – Quanto aos treinadores e à sua competência, não entendemos como muito importante ter o Nível 4 para trabalhar na formação. Acreditamos que é muito mais importante que saibam lidar com jovens.

Ao longo dos últimos três anos, talvez tenham entrado apenas duas ou três pessoas. São escolhidos a dedo e a partir daí queremos que continuem sempre no clube. Analisamos currículos, convocamos os potenciais treinadores para uma entrevista. Se o discurso da pessoa for no sentido de nos dizer que já foi campeão de escolas ali e de infantis acolá, riscamos logo.

O que nos interessa é a vida social da pessoa e os princípios de vida. Acima de tudo, tem de se enquadrar na nossa filosofia. Não formamos campeões; formamos jogadores. Da mesma forma que nenhum treinador vem para o CD Fátima para ser campeão, mas sim para formar jovens.

Também tem de ser um treinador que seja capaz de colocar o objetivo do clube à frente das suas metas pessoais ou dos objetivos da equipa que comanda. Por exemplo, quando digo a um treinador que um ou dois jogadores da sua equipa vão jogar no escalão acima, nesse fim de semana, é essencial que esse mesmo treinador fique feliz por poder dar minutos a outros jogadores que não estejam a jogar tanto, em vez de ficar a lamentar-se por perder dois atletas para um escalão superior.

Derby – A escolha dos jogadores também obedece a critérios rigorosos, certamente.
Bruno Neto – Quando analisamos uma eventual ‘contratação’ para o clube, privilegiamos a avaliação curricular, a vida social e princípios de vida, entre outros fatores muito mais sociais do que propriamente futebolísticos. É claro que têm de ter qualidade para jogar no Centro Desportivo, mas se não souberem estar e viver de acordo com a filosofia que implementámos, dificilmente terão aqui sucesso.

Derby – Como é que um coordenador do futebol de formação observa a corrente de pais que pressionam treinadores e os próprios filhos, acabando por condicionar todo o processo de evolução?
Bruno Neto – Há uma grande fatia de pais que acreditam que os seus filhos podem vir a ser a galinha dos ovos de ouro. Quase que diria que não se enxergam e não conseguem perceber que 1 em 5000 jogadores da formação chega a um Campeonato Nacional. Já nem falo na Liga dos Campeões…

Há pais que só começam a perceber que não vai ser bem assim, quando os filhos chegam aos juvenis. Aí caem na realidade e mudam de atitude

Aliás, há um chavão que é meu e que gostava de reforçar: ‘o grande problema da formação é o resultado do próximo sábado’. É uma frase minha. Significa que, quando nos centramos no que vai ter de acontecer, em qual vai ser o resultado do sábado que vem, vamos alterar o processo de treino porque vamos pensar apenas no resultado. Os próprios pais vão estar na bancada preocupados em ganhar à força toda. Se nos conseguirmos desviar de tudo isto, cumprimos o nosso processo e ficamos mais perto do sucesso.

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Derby – Foi difícil implementar esta filosofia?
Bruno Neto – Foi e continua a ser, apesar de a própria UEFA incentivar a isto mesmo. Na Associação de Futebol de Leiria, há vários anos que as competições até aos Sub-11 já não são campeonatos e os resultados não são divulgados. Em Santarém, isso foi muito difícil de alcançar.

Os clubes pressionaram tanto para continuar a haver classificações, que a associação cedeu um pouco, embora já tenha acabado também com as classificações até aos Sub-11. É verdade que ainda faz um torneio e que depois agrupa pelos resultados e vai acabar por dar ao mesmo…

Agora que a época terminou, recebemos vários convites para participar em torneios. A nossa pergunta aos clubes é muito clara: ‘qual é o modelo competitivo?’ Se forem dois grupos, onde os primeiros jogam contra os segundos e os vencedores disputam a final, a nossa resposta também é muito clara: obrigado pelo convite, mas o Fátima não está interessado. Se o torneio for em sistema de todos contra todos e os primeiros são iguais para todos, então lá estaremos com todo o gosto.

Derby – Não sentem diferença na atitude do próprio jogador do Fátima? Em termos competitivos? Até porque nem todos os clubes trabalham da mesma forma.
Bruno Neto – É um problema, de facto. Costumo debater esse tema com os treinadores. A boa educação, o fair play e a ética desportiva são características que aparentemente identificam um atleta menos agressivo, no bom sentido. Esse é o próximo desafio: encontrar estratégias para que o jovem jogador seja agressivo, mas correto, e não paranoico com o resultado. Já tenho visto miúdos de seis anos a chorar baba e ranho por perderem um jogo, apenas porque os pais queriam muito que eles ganhassem. É completamente contranatura.

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Bruno Neto, com o filho Tiago, que hoje representa a Seleção Distrital de Santarém e prepara-se para disputar a final do Torneio Lopes da Silva

Derby – O próprio selecionador nacional de Espanha, Luis Enrique, alertou recentemente para a pressão que já se exerce sobre miúdos de 6 anos…
Bruno Neto –  Concordo a 100% com o Luis Enrique, mas se ele próprio olhar para o seu passado enquanto jogador, se calhar vai perceber que ele próprio não seria o melhor exemplo [gargalhada].

O diretor-geral da formação do SL Benfica defende esta ideia. Ainda agora, a propósito do Torneio da Pontinha, que será talvez o expoente máximo dos torneios de formação, ele lembrou que a grande maioria dos jovens que passam por este torneio, não chega às seleções nacionais. É uma percentagem mínima, mas a ‘campeonite’ é máxima…

Eu comecei a jogar com 13 anos e acabei com 30. Ou seja, passei 17 anos a jogar futebol. Os miúdos da atualidade, já levam esses 13 anos de futebol quando chegam aos seniores. Ora, se eu estava cansado aos 30, se calhar, estes miúdos vão cansar-se aos 20 ou mesmo aos 18… É um problema que a formação tem de repensar.

Se lhes metermos esta pressão da ‘campeonite’ aos 6 anos, eles chegam aos 18 e estão fartinhos disto… Se introduzirmos um caracter mais lúdico, talvez até aos 13, eles vão ficar melhor formados, não vão sentir o stresse da competição tão cedo e vão ter uma carreira desportiva mais duradoura.

Derby – Fim de ciclo. Sai no auge enquanto coordenador. Por algum motivo em especial?
Bruno Neto – Entendi que estava na hora de deixar este cargo e saio muito orgulho com o trabalho que fizemos em conjunto. Terminou o ciclo. A forma como saio, também revela a elevação e os valores que este clube pratica. Ou seja, a pessoa que me vai substituir, trabalhou comigo ao longo das últimas semanas, para que eu pudesse ‘passar a pasta’. Posso dizer que partilhamos as mesmas ideias a 90 por cento, pelo que acredito muito que a forma de trabalhar do clube não se vai alterar muito.

Do triplete nos nacionais ao título na Distrital. Fátima é escola de formação com nota de excelência

Quartos em risco! Seiça oferece golo ao rival e apanha susto daqueles

IMG-20220618-WA0014 Quartos em risco! Seiça oferece golo ao rival e apanha susto daqueles

O Grupo Desportivo e Cultural de Seiça celebra por estes dias a qualificação para os quartos de final da Liga INATEL Nacional, mas não se livrou de um valente susto em pleno Alto Alentejo.

Tudo porque os oureenses decidiram oferecer (!) um golo ao adversário, imediatamente a seguir a terem inaugurado o marcador.

Como?! Foi isso mesmo que leu e o Derby conta-lhe a história toda, tal como prometido.

Tudo começou quando Rafa deu seguimento a um ataque do Seiça, com um jogador do Cano caído no pelado e agarrado àquelas partes onde doi mesmo a sério.

Apesar da insistência dos rivais para que metesse a bola fora, Rafa cruzou e o adversário marcou… na própria baliza.

Um a zero para o Seiça e nervos à flor da pele, com os jogadores da casa a reclamarem perante a alegada falta de fair play dos visitantes.

Depois de alguma agitação e com o próprio árbitro a defender a legalidade do lance, explicando não ter interrompido o jogo por se tratar de uma jogada prometedora e sem qualquer tipo de infração no seu entendimento, os jogadores do Seiça tomaram uma decisão rara mas reveladora do carácter deste grupo e dos valores desta competição.

Bola ao meio e… via aberta para a baliza de Tomé. Ninguém se mexeu e o Cano teve autorização para empatar a partida quando estavam decorridos 60 minutos.

Depois desta espécie de assunção de culpas por ter marcado com um adversário no chão, o Seiça ofereceu uma lição de fair play e o jogo prosseguiu.

O susto veio depois, quando o duelo seguiu para o desempate por penaltis e os homens de Seiça viram a vida a andar para trás, percebendo que arriscaram a vitória em nome do desportivismo.

Valeu o guarda-redes André Vieira, o verdadeiro São Tomé, herói do Cano, com dois penaltis defendidos e os quartos de final nas luvas.

 

 

Alta Pressão: os lances capitais da vitória do Atlético sobre o Estoril

assinatura-derby-cronica-212x300 Alta Pressão: os lances capitais da vitória do Atlético sobre o EstorilO Atlético Ouriense está na final do playoff da Liga BPI, graças à vitória sobre o Estoril, na 2.ª mão das meias-finais, mantendo intacta a esperança de permanecer no escalão principal do futebol feminino.

O Derby foi à Caridade e testemunhou a dimensão da supremacia oureense face às estorilistas, que só tiveram uma oportunidade de golo contra duas mãos-cheias delas para a turma de Marco Ramos.

‘Alta pressão’ é o título do filme do jogo, em exibição dentro de momentos…

 

Alta pressão
1′
Rola a bola na Caridade! O Atlético perdeu na 1.ª mão desta eliminatória, em casa do Estoril. Foi por 1-0, o que obriga as oureenses a fazer pela vida neste playoff da Liga BPI

 

7’ Sony Costa descarrega um balão na área, a guardião Isabel Peixeiro falha a interceção e perde o norte à baliza. Menglu Shen oferece o golo a Mafalda Barboz, mas Chloe Gorman antecipa e tira o pão da boca à oureense

 

11’ O Atlético pressiona alto, Chloe Gorman arrisca no passe e Menglu Shen antecipa-se, rouba a bola, foge para a baliza, mas dá um toque a mais e permite o corte da guardiã contrária quando tinha tudo para inaugurar o marcador

 

15’ Mais do mesmo: o Estoril não sabe lidar com tamanha pressão e as oureenses voltam a roubar a bola em zona perigosa, agora com Raíza a disparar do meio da rua, mas ao lado do poste direito

 

19’ Jéssica Pastilha remata fortíssimo, mas a bola sai muito ao lado da baliza do Estoril

 

27’ Raíza faz a bola sobrevoar a defensiva estorilistas. A camisola 8 serve o golo em bandeja de ouro, mas o remate de Maria Baleia afoga-se nas mãos de Isabel Peixeiro.

 

30’ Maria Baleia descai sobre a esquerda e cruza em balão para Carol Pretona, que oferece um chapéu de aba larga que a guardiã rival só segurou sobre a linha. Pediu-se golo… mas nem lá perto.

 

31’ Raíza tenta a sorte do meio da rua, mas o tiro volta a sair desafinado.

 

GOOOOOOOLO!!!
35’ Menglu Shen acelera na esquerda e ganha a linha. A chinesa descobre o Brasil, que é como quem escreve: cruza direitinho à cabeça de Sara, que atira a contar para delírio dos adeptos

 

45+1 Sara Brasil fica perto de repetir a festa, mas o chapéu volta a ser de aba larga e acaba sobre a trave estorilista

 

Intervalo | A vantagem do Atlético é tão justa quanto escassa e as oureenses já podiam ter a eliminatória perfeitamente resolvida, tamanha foi a superioridade face a um Estoril permeável defensivamente e inexistente ofensivamente

 

52’ Carol Pocinho quase marca de cabeça, na sequência de uma bola parada

 

53’ Mafalda Barboz fica perto do 2-0, também de cabeça e em balão por cima da confusão, valendo ao Estoril um corte de Débora Esteves, praticamente sobre a linha de golo

 

54’ Aflita perante a pressão alta das oureenses, Isabel Peixeiro mete a bola nos pés de Sara Brasil. A ‘10’ do Atlético dispara forte e em arco, mas a guarda-redes rival emenda a mão com a defesa da tarde

 

67’ Maria Baleia isola Mafalda Barboz, mas Débora Esteves estica a perna e… derruba a oureense. Pede-se penalty na Caridade, mas a juíza arquiva o caso. Mal! O penalty foi tão evidente que a própria defesa estorilista caiu num pranto a reclamar consigo mesma.

 

GOOOOOOOLO!!!
68’ O karma é tramado… Um minuto depois de lhe ter sido negado um penalty descarado, Mafalda Barboz repetiu a pressão sobre Isabel Peixeiro, fazendo a guardiã tremer que nem varas verdes e chutar… no ar. Limpinho, limpinho: a ‘77’ oureense roubou a bola à guarda-redes e colocou o Atlético na frente da eliminatória!

 

79’ Ana Martha fica perto de ampliar, na sequência de um canto de Sara Brasil. Grande defesa de Isabel Peixeiro, claramente melhor com as mãos do que com os pés…

 

85’ Menglu Shen atira o 3-0 por cima da trave contrária

 

88’ A primeira e única oportunidade do Estoril em todo o jogo: Mariana Coelho, bicampeã nacional pelo Atlético Ouriense e autora do golo da vitória na 1.ª mão desta eliminatória, descarrega uma bola parada para a área: Catarina Cunha ganha de cabeça e Sony Costa salva as oureenses da eliminação, impedindo Filipa Rodrigues de marcar o 2-1, com um corte providencial… sobre a linha de golo!

 

Apito final | O Atlético Ouriense carimba a qualificação para a 3.ª eliminatória do playoff da Liga BPI, garantindo a presença no duelo final. A turma de Marco Ramos  já eliminou o Rio Ave e o Estoril, mas terá de vencer o Futebol Benfica num duelo a uma só mão, onde a vitória rende a permanência e a derrota garante… a descida

 

futebol-atlouriense-estoril-playoff-8 Alta Pressão: os lances capitais da vitória do Atlético sobre o Estoril

 

É finalista! Atlético elimina Estoril e pode repetir a festa… no Jamor

futebol-atlouriense-estoril-playoff-1 É finalista! Atlético elimina Estoril e pode repetir a festa... no Jamor
A festa das oureenses foi altamente merecida tamanha foi a superioridade face às estorilistas

assinatura-derby-cronica-212x300 É finalista! Atlético elimina Estoril e pode repetir a festa... no JamorPodiam ter arrumado a questão ainda antes do intervalo… mas não era a mesma coisa. O domínio do Atlético Ouriense foi de tal ordem que entendemos como fastidioso elencar numa só peça todas as oportunidades que as oureenses tiveram para resolver a eliminatória. É ler para crer, no filme do jogo.

O Atlético Ouriense conseguiu reverter o resultado da 1.ª mão e deu a volta ao Estoril Praia, condenando este adversário à descida imediata à 2.ª Divisão Nacional.

Com um golo em cada parte, as oureenses selaram a qualificação para a 3.ª e última eliminatória do playoff da permanência, onde vão (re)encontrar o Futebol Benfica, naquela que será a reedição da grande final de Taça de Portugal de 2014, quando o Atlético conquistou a prova rainha, graças a um golo de Filipa Rodrigues, que hoje até voltou à Caridade, mas com a camisola do Estoril… e sem motivos para celebrar.

O 2-0 chegou para anular a derrota por 1-0. O que sobrou foi o verdadeiro festival de oportunidades desperdiçadas pelo Atlético, que poderia ter evitado tanto sofrimento se tivesse concretizado apenas um terço das ocasiões de golo que conseguiu construir.

Domínio sufocante
Devidamente suportadas por Jéssica Pastilha e Raíza Paraíba, Maria Baleia, Sara Brasil e Shen Menglu executaram na perfeição parte da estratégia de Marco Ramos, estendendo a equipa no terreno, através de uma pressão constante e sufocante, tornando cada pontapé de baliza, cada saída de bola, num verdadeiro pesadelo para as estorilistas.

Daí que ninguém se tenha surpreendido com os contornos do segundo golo oureense. Em boa verdade, quando Mafalda Barboz tirou a bola dos pés da guardiã estorilistas e atirou a contar, foi apenas o consumar do enésimo erro provocado pela pressão altíssima que o Atlético impôs sobre as rivais. Estavam decorridos 68 minutos e o Estoril nunca teve argumentos para reagir em conformidade.

Aliás, o Atlético já tinha empatado a eliminatória aos 35 minutos, como consequência dessa mesma pressão sobre as rivais, ainda que o lance não tenha decorrido de um erro tão flagrante. Pelo contrário, nasceu de um cruzamento verdadeiramente teleguiado por Shen Menglu, diretamente para a testa de Sara Brasil, que fixou os pés no chão para fuzilar as redes contrárias… de cabeça.

Super Sony com corte salvador
Entre um golo e o outro, sobraram as oportunidades desperdiçadas. E mesmo quando Sara Brasil inaugurou o marcador, já as oureenses estavam a dever dois golos aos adeptos. Melhor assim, ganhou-se em emoção e a vitória teve ainda mais sabor.

Mas a coisa podia ter azedado… O Estoril Praia só teve uma oportunidade de golo digna desse nome, mas podia ter sido o bastante para eliminar as oureenses. Talvez poucos tenham reparado, mas Sony Costa vestiu a pele de heroína aos 88 minutos, quando impediu Filipa Rodrigues de marcar… sobre a linha de golo.

Finalista com toda a justiça
Contas feitas, o Atlético Ouriense foi (muito) melhor na soma das duas mãos e é um justo finalista deste playoff, estando agora obrigado a bater o Futebol Benfica, 2.º classificado da 2.ª Divisão Nacional.

A Federação Portuguesa de Futebol vai oficializar data e local da final do playoff, nas próximas horas. Segundo o Derby apurou junto de fonte próxima da FPF, é forte a possibilidade de o confronto entre Atlético Ouriense e Futebol Benfica vir a ter lugar no… Estádio Nacional do Jamor.

futebol-atlouriense-estoril-playoff-3 É finalista! Atlético elimina Estoril e pode repetir a festa... no Jamor
A claque do Atlético esteve à altura dos acontecimentos, embalando a equipa para uma vitória decisiva

De primeira para a Primeira! Bernardo lançou a escada… e o Fátima subiu!

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Bernardo Vaz sacou do abre-latas e desbloqueou a festa fatimense

assinatura-derby-cronica-212x300 De primeira para a Primeira! Bernardo lançou a escada... e o Fátima subiu!Um, dois, três! Diga lá outra vez? Quando o árbitro apitou para o intervalo, já a bancada estava em festa e o Centro Desportivo de Fátima a caminho da subida, com três golos sem resposta na mala de viagem.

Tal como o Derby noticiou, o CD Fátima ‘só’ precisava de vencer o CCRD Moçarriense para garantir a promoção à 1.ª Distrital. O duelo era decisivo, sobretudo porque uma derrota deixava este rival com 3 pontos de avanço e em vantagem no confronto direto com os fatimenses, a uma jornada do fim.

A ansiedade era evidente e os nervos pesaram nas pernas. Foi só o tempo de Bernardo Vaz encontrar um buraquinho na teia adversária para atacar as redes adversárias à bomba. Foi de primeira… para a Primeira! O golo foi de levantar o estádio e os grenás começaram logo ali a domar os leões da Moçarria.

Igualmente jovem e composta por talentos da sua formação, a equipa do Moçarriense não se rendeu, foi à procura do empate e só não foi feliz porque Wilson Ramos voou para negar a igualdade ao adversário. Com uma defesa absolutamente fantástica, o guardião fatimense não só manteve a vantagem como lançou ali as bases da festa.

Das mãos de Wilson aos pés de Bernardo
Três minutos depois de se ter safado do 1-1, o CD Fátima… celebrou o 2-0. Pelo inevitável Bernardo, que ressuscitou uma jogada morta e transformou um lance perdido num momento verdadeiramente decisivo, sobretudo pelos danos psicológicos que infligiu no rival.

Do treinador aos jogadores, toda a equipa do Moçarriense protestou a forma como o camisola 23 ganhou o lance, reclamando uma alegada infração do fatimense. O juiz mandou encerrar o caso, e à falta de VAR, sobrou a festa do golo e uma expulsão no banco visitante.

Como não há duas sem três, Lucas Russo ampliou para o CD Fátima logo a seguir, encerrando a questão ainda antes do intervalo e com direito a expulsão de um adversário por (mais) protestos junto do árbitro.

Fazer tempo para a festa
A 2.ª parte… era perfeitamente evitável. Porque o resultado estava feito e não havia volta a dar por parte de um rival reduzido a dez. Respeitando os regulamentos e a própria essência do jogo, CD Fátima e Moçarriense bateram-se com galhardia e houve tempo para mais dois golos. Yuri saltou do banco para o 4-0, antes de o Moçarriense fechar a contagem num belíssimo golpe de cabeça quando os fatimenses já só pensavam na festa.

E se foi bonita! Começou tímida porque a matemática ainda causa(va) dúvidas na classificação, mas logo se tornou de arromba. Embalados pelos Ultras Fátima, jogadores, treinadores e dirigentes fizeram a festa em pleno relvado, numa comunhão perfeita com os adeptos.

Prémio merecido… com um ano de atraso
Dois anos depois do regresso ao futebol sénior e um ano após ter falhado a subida na última jornada, o Centro Desportivo de Fátima faz as pazes consigo mesmo, atingindo um objetivo que se impunha, por respeito à história cinquentenária de um emblema empenhado em regressar às conquistas de outrora.

Domingo, há mais: a prova fecha em Alpiarça e o CD Fátima até pode tornar-se campeão distrital, se vencer Os Águias. Seja como for, os grenás já são de Primeira!

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O Centro Desportivo de Fátima garantiu a subida à 1.ª Distrital e ainda pode ser campeão da 2.ª Divisão | Foto Derby ©

Exclusivo Derby com Paulo Évora, o Herói de Alferrarede: “Não somos um clube, somos uma família!”

Final-Liga-INATEL-Santarem_-Seica-vs-Sentieiras-PauloEvora-Fotos-DERBY-32 Exclusivo Derby com Paulo Évora, o Herói de Alferrarede: "Não somos um clube, somos uma família!"
Paulo Évora, autor do golo da vitória, saudado pelo Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Luís Albuquerque, perante a alegria da Presidente da Junta de Freguesia de Seiça, Ângela Marques

Alferrarede, Campo da CUF, 29 de maio de 2022. Há um treinador de lágrimas nos olhos, jogadores em plena euforia, uma aldeia em festa na comunhão de mais uma conquista inolvidável.

O Derby testemunha o êxtase em pleno relvado e não perde a oportunidade de dar voz ao herói do jogo. Paulo Évora, defesa-central com ‘Killer Instinct’, serve-nos um banho de humildade mesclado com um hino ao espírito de grupo, minutos depois da vitória do Grupo Desportivo e Cultural de Seiça na final da Liga INATEL Santarém.

O golo que é todos, a ‘família Seiça’ e o assalto ao título nacional. A história de um ‘microflash’ com mais sumo que muitas conferências… da Champions.

Derby – Qual é a sensação de decidir a final com um golo, ainda para mais sendo o Paulo um defesa-central… goleador?
Paulo Évora – É trabalho de equipa! Não gosto de ‘colocar as culpas’ num jogador porque é o trabalho de toda a equipa. Tive a sorte de ser eu a marcar o golo, mas toda a equipa está de parabéns.

Derby – Conquistar um título a jogar longe de casa, mas perante esta moldura humana, sem esquecer ao preço a que estão os combustíveis…
Paulo Évora – É para isto que vivemos… Andamos a trabalhar desde setembro para chegar a este dia e ver esta festa enorme. Felizmente já é a quinta final que vivemos, é sempre um prazer ver esta moldura humana, é isto que nos faz mover.

Derby – Tricampeões distritais, bicampeões nacionais, campeões mundiais de futebol amador. O Grupo Desportivo e Cultural de Seiça já não é um clube qualquer…
Paulo Évora – Claro que não! Somos uma família! Não somos um clube, somos uma família e é isso que nos torna muito fortes.

Derby – Vem aí a Fase Nacional. Até onde pode ir o GDC Seiça nesta competição?
Paulo Évora – É sempre para cima! Sempre para cima! O nosso foco é sermos campeões nacionais. Vai ser jogo a jogo, sabemos que vai ser difícil e que vamos ter deslocações complicadas. Vamos tentar ser campeões, dando sempre o nosso melhor.

 

Texto | António Adão Farias
Fotos | Derby ©
futebol-seica-inatel-final-4 Exclusivo Derby com Paulo Évora, o Herói de Alferrarede: "Não somos um clube, somos uma família!"
“Não somos um clube, somos uma família”. A definição pode muito bem ser a explicação de mais uma conquista para o GDC Seiça

Évora teve cabeça, a equipa teve pulmão… e o Seiça é tricampeão

futebol-inatel-seica-final-ficha-de-jogo Évora teve cabeça, a equipa teve pulmão... e o Seiça é tricampeão

 

TRI-CAM-PE-ÕES! O Grupo Desportivo e Cultural de Seiça confirmou o favoritismo e derrotou o Centro Popular de Cultura e Desportos de Sentieiras, na final da Liga INATEL Santarém, disputada este domingo, perante casa a rebentar pelas costuras, no mítico Campo da CUF, em Alferrarede.

Um golo solitário de Paulo Évora bastou para erguer o terceiro troféu de campeão distrital da história do Seiça, que marcou presença nas últimas cinco finais desta competição, vencendo as três mais recentes.

futebol-seica-inatel-final-2-300x200 Évora teve cabeça, a equipa teve pulmão... e o Seiça é tricampeãoDepois de duas vitórias para cada lado, nos quatro confrontos disputados ao longo da temporada, Seiça e Sentieiras foram ao tira-teimas. Calor intenso, nervos à flor da pele, jogo absolutamente bloqueado até à cabeçada certeira de Paulo Évora. O central oureense foi letal, na sequência de um pontapé de canto, inaugurando o marcador quando o relógio marcava 36 minutos da 1.ª parte.

Sem oportunidades até então, o jogo caiu logo ali para o lado do Seiça, muito mais confortável com bola e na gestão dos tempos, perante um rival intranquilo e irremediavelmente agitado pela desvantagem no marcador.

A chave do jogo
O intervalo serviu para refrescar os jogadores… e meter gelo no jogo. O Seiça congelou a bola e os nervos aqueceram. Sem argumentos para encontrar a baliza de André Vieira, a turma de Sentieiras viu-se igualmente enredada nas constantes trocas de bola entre os seicenses. As faltas sucederam-se, inclusive de educação… Pelo menos foi essa a avaliação do árbitro Custódio Justo, quando expulsou o experiente Pedro Roldão, por alegados impropérios protestando com uma decisão contrária. Caldo entornado…

futebol-seica-inatel-final-3-300x203 Évora teve cabeça, a equipa teve pulmão... e o Seiça é tricampeãoEstavam decorridos 60 minutos quando o Seiça viu cair do céu esta expulsão rival. Com um jogador a mais, a turma de Tiago Rodrigo Reis sentiu-se como peixe na água, enquanto o adversário mostrava sangue na guelra. Minutos depois da expulsão, o juiz Custódio Justo não fez jus ao nome, perdoando o segundo amarelo a Pedro Martins, por carga violenta sobre um oureense.

O Seiça foi gerindo, gerindo e gerindo a posse de bola. E mesmo quando a perdeu, facilmente a recuperou. Os instantes finais foram penosos para ambas as equipas, expostas ao calor abrasador. As pernas e os pulmões só deram sinal depois do apito, quando os seicenses irromperam rumo à bancada para celebrar o ‘tri’ com as largas dezenas de adeptos do clube que vieram a Alferrarede testemunhar mais este momento absolutamente histórico na vida de um clube tricampeão distrital, bicampeão nacional e… campeão mundial de futebol amador.

Texto | António Adão Farias
Fotos | Derby (c)
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O Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Luís Albuquerque, fez questão de celebrar a conquista com a equipa do Seiça, juntamente com Ângela Marques, Presidente da Junta de Freguesia de Seiça e diretora do clube