Vangelis Pavlidis e Luis Suárez. Duas máquinas de fazer golos, os verdadeiros abonos de família de Benfica e Sporting. A intrometer-se nesta companhia de luxo, um nome improvável: Rodrigo Conceição, avançado do CD Fátima, que está a protagonizar um dos arranques de temporada mais interessantes do futebol português.
Com seis golos em sete jogos na Série 3 do Campeonato de Portugal, Rodri ocupa o 3.º lugar entre os melhores marcadores dos quatro campeonatos nacionais, apenas atrás das duas estrelas da Primeira Liga. Mais: é o melhor marcador entre os jogadores não-profissionais, em igualdade com Marocas, mas com menos minutos jogados: 607 do fatimense, contra 630 do atacante do Imortal de Albufeira.
A proeza ganha dimensão quando se percebe que o jogador do Fátima nem sequer é ponta de lança. Atua habitualmente descaído sobre a direita e, ao contrário de muitos goleadores, ainda não precisou de converter qualquer penálti para construir os seus números. Pavlidis tem 3 penáltis entre os 10 golos; Suárez conta dois em oito.
No último domingo, Rodri assinou um hat-trick na goleada por 6-1 ao Fazendense, marcando aos 7, 20 e 61 minutos. Uma exibição que confirmou o excelente momento de forma do avançado e ajudou o Fátima a regressar às vitórias no Campeonato de Portugal.
A estes seis golos juntam-se outros dois apontados ao Vinhais, na Taça de Portugal. São oito em todas as competições, um registo particularmente expressivo, sobretudo tendo em conta que o Fátima não é candidato à subida nem tem lutado pelos primeiros lugares desde que Rodri assinou pelo Desportivo, em janeiro deste ano.
Na segunda metade da temporada passada, Rodri já tinha sido importante na luta pela manutenção, contribuindo com três golos em dez encontros. Agora, consolidou a sua posição enquanto uma das principais referências ofensivas da equipa de Nuno Kata.
Os mundos de Pavlidis, Suárez e Rodri são incomparáveis. Mas há uma linguagem do golo atravessa todas as divisões, independentemente dos salários, dos estádios ou da dimensão dos clubes. E é nessa linguagem que o avançado do Fátima fala de igual para igual com os grandes.





















