A paixão pelo ciclismo voltou a juntar dezenas de participantes numa aventura que atravessou fronteiras. A edição de 2026 da Cycling Trip ligou Ourém a Cáceres, em Espanha, ao longo de um percurso de cerca de 265 quilómetros, percorrido em ambiente de convívio, superação e espírito de equipa.

Sem objetivos competitivos ou classificações finais, o desafio teve como principal motivação o gosto pela modalidade e a vontade de partilhar uma experiência diferente sobre duas rodas. A iniciativa reuniu ciclistas de várias idades, que aceitaram o desafio de enfrentar a distância e as exigências físicas do percurso.
Um ano depois da célebre tirada a Badajoz, o pelotão voltou a reunir para nova incursão por terras espanholas, desta vez para ligar Ourém a Cáceres. Sem clubes à prova, sem disputas individuais ou qualquer tipo de competição, movidos apenas pela paixão pela arte de dar ao pedal mesmo quando as forças ameaçam bater em retirada.
Há um ano como agora, Alice Neves foi a grande impulsionadora desta aventura. Empresária dedicada à organização de eventos (e não só), é também ela uma apaixonada pelo ciclismo, ao ponto de ter fundado uma associação desportiva e a sua própria equipa: a Estrela Ouriense e a Orion Cycling Team.

Com idades compreendidas entre os 26 e os 62 anos, duas dezenas de participantes responderam ao desafio de Alice e pedalaram até Cáceres, cruzando a fronteira e desfilando na meta virtual, após cerca de 265 quilómetros. Os tempos não foram obviamente cronometrados, mas as memórias prometem perpetuar-se.
Ricardo Portela adorou a experiência. “Começo por agradecer à Alice e a toda a equipa de logística e abastecimento, porque nada nos falhou. Obrigado por tudo! Parabéns também a todos os participantes. Acabámos por fazer uma boa equipa”, considera, manifestando admiração profunda por alguém que mereceu realmente a medalha da resiliência e superação.
“Uma palavra de grande apreço ao senhor Cortez. Com idade para ser pai de alguns de nós, animou toda a gente com a sua energia inesgotável”, sublinhou, a propósito de um sexagenário com pernas daqui até Espanha.
De Ourém a Cáceres, a estratégia passou por criar duplas e espaçá-las pelo percurso, sempre com a preocupação de não deixar ninguém para trás, até ao momento em que o pelotão tocou a reunir e deliberou liberdade total para cada participante gerir a melhor forma de atacar os 90 quilómetros finais.
Pelo caminho, houve direito a reforço volante com abastecimento de líquidos refrescantes e géis revigorantes. E também não faltaram as obrigatórias paragens para meter uma bucha e descansar a bicicleta.
Mouriscas e Nisa ofereceram a sombra, Alice tratou do repasto, com a ajuda da sua “entourage” e dos muitos parceiros que conseguiu reunir. “Agradeço muito aos meus voluntários, pela ajuda fantástica. E tenho de deixar também uma palavra muito especial a todas as empresas e entidades parceiras, pela enorme ajuda logística e até financeira que nos deram”, sublinha Alice.
A entrada no reino de Castela deu-se pela porta de armas de Valencia de Alcántara, num primeiro contacto com nossos hermanos e um derradeiro banquete antes da chegada ao destino.
Enquanto os corredores se debatiam com os últimos quilómetros, a organização percorria hotéis em Cáceres para colocar bagagens nos quartos reservados aos respetivos donos.
A chegada foi celebrada com reforço calórico: nada melhor que umas fatias de pizza. Quando a noite caiu, dividiram-se entre os (poucos) que preferiram repouso e os (muitos) que escolheram desfrutar da esplanada e da movida espanhola.
Na manhã seguinte, houve volta de recuperação para quem quis, com meia centena de quilómetros para esticar as pernas e tempo suficiente para colecionar amigos espanhóis pelo caminho de um passeio bucólico, em plena raia estremenha. Seguiu-se um almoço de grupo, as despedidas… e uma promessa: para o ano, há mais.
















