
Chegaram a Torres Vedras com 5 derrotas consecutivas (só no campeonato) mas deram espectáculo e só não voltaram em festa para Ourém porque a sorte do jogo sorriu às adversárias. Assim foi o desfecho da visita do Atlético Ouriense a casa do Torreense, saldada num empate a três golos
Chegaram a Torres Vedras com 5 derrotas consecutivas (só no campeonato) mas deram espectáculo e só não voltaram em festa para Ourém porque a sorte do jogo sorriu às adversárias. Assim foi o desfecho da visita do Atlético Ouriense a casa do Torreense, saldada num empate a três golos.
Em contraste absoluto com a entrada em ritmo de passeio no duelo com o Marítimo, desta vez o Atlético entrou forte e com atitude revigorada, colocando o Torreense em sentido logo nos primeiros minutos.

Margarida Caniço teve o golo nos pés aos 12 minutos e só não o festejou porque Rafa Sudré deu (literalmente) a cara pela equipa, travando a bola sobre a linha de baliza.
Apesar de surpreendidas pela abordagem das ourienses, as torreenses acabaram por inaugurar o marcador com um golo caído do céu. Na tentativa de evitar um pontapé de canto, a guardiã Ana Rita Oliveira deslizou sobre o relvado para resgatar a bola, mas acabou por deixá-la à mercê de Rafaela Rufino, que não se fez rogada perante tamanha oferta e assinou o 1-0 sem precisar de saber ler ou escrever. Só visto.
O Torreense quase matou o jogo aos 33 minutos, com duas subidas à área no espaço de segundos. Primeiro, Ana Rita Oliveira, defendeu um remate de Jassie; depois, foi Jéssica Pacheco a tirar o pão da boca a uma adversária, com um corte providencial.
Apesar da desvantagem e de toda a carga emocional acumulada à conta da sequência de resultados negativos, as ourienses nunca perderam o sentido da baliza rival. E o empate começou a adivinhar-se. Aos 36 minutos, um remate de Catarina Mairos resvalou em Carolina Correia, deixando a bola à mercê de Beatriz Pinheiro. A 77 do Atlético rematou bem mas Leonor Faria esticou-se para a defesa da tarde.

Na sequência do canto, Lorena Santana cabeceia, a bola desvia em Ellie Walker e sobra para Susana Silva, que desvia também de cabeça para nova intervenção de luxo da guarda-redes do Torreense. O lance deixou dúvidas quanto à legalidade da intervenção de Walker, que poderá ter desviado a bola com o braço. Tatiana Martins nada assinalou e o VAR também não.
Água mole em pedra dura… O Atlético tanto insistiu que lá sorriu. Sobre a esquerda, a lateral Jéssica Pacheco cruzou com conta peso e medida para Lorena Santana, que se antecipou a Giovanna Nascimento e empatou o jogo, com um golo à ponta de lança, aos 38 minutos.
Só que o Atlético nem teve tempo para celebrar o primeiro golo ao cabo de 488 (!) minutos sem marcar na Liga BPI. Lançada no espaço vazio entre Kelli Swenson e Godói, Jassie Vasconcelos devolveu a vantagem ao Torreense, aos 40 minutos.
Apesar do golpe, o Atlético relançou-se à procura do golo. E esteve tão perto, logo no minuto seguinte: cruzamento largo de Susana Silva para o meio da pequena área, onde Leonor Faria saltou mas não agarrou… Lorena tentou, Beatriz Pinheiro recarregou, mas Ellie Walker salvou sobre a linha.

As visitantes foram para intervalo a perder por 2-1 e sob o espectro da sexta derrota consecutiva em 7 jornadas. Era preciso (continuar a) reagir. Dito e feito. César Matias trocou Beatriz Pinheiro por Meredith Haakenson (57’) e a norte-americana não demorou a deixar marca. Foi derrubada na área e conseguiu uma bela oportunidade para marcar.
Chamada à responsabilidade, Lorena Santana não facilitou nem um milímetro, batendo um penálti clássico: bola na malha lateral interior e guarda-redes a voar para o lado contrário. Dois a dois, com 25 minutos para jogar.

Corria o minuto 76, quando o Atlético encaixou mais um soco no estômago: na sequência de um canto a favor do Torreense, Kelli Swenson tirou a bola da área ao primeiro poste, segundo antes de Paloma Lemos cair no relvado na sequência de um contacto com Margarida Caniço. Mais perto do lance, a auxiliar Raquel Pinho deixou a bandeirola em baixo, mas Tatiana Martins decidiu em contrário, num lance reavaliado pelo VAR em concordância com a decisão tomada pela chefe de equipa.
Na conversão, Jassie Vasconcelos atirou de pé esquerdo, com força e colocação, de nada valendo o voo da especialista Ana Rita Oliveira, que ‘adivinhou’ o lado mas não conseguiu defender o penálti.

Outra vez obrigado a correr contra o prejuízo, as ourienses arregaçaram mangas e provaram que não desistem à primeira. Nem à segunda, nem à terceira. E só precisaram de mais 4 minutos para restabelecer a igualdade.
Na sequência de um canto cobrado por Letícia Souza, a juvenil (!) Rita Lourenço atirou de primeira, Rafa Sudré voltou a evitar um golo em cima da linha, mas a bola foi parar ao pé (quente) de Lorena Santana, que rematou de raiva para o 3-3 final.
Até ao apito final, houve ainda tempo para uma expulsão por vermelho direto: Paloma Lemos atingiu Kelli Swenson com violência, num lance que não passou em branco na análise do VAR, que recomendou punição máxima para a camisola 10 do Torreense, aos 89 minutos.
O resultado não voltou a mexer e o Atlético somou o primeiro ponto após cinco derrotas consecutivas. Não chegou para voltar a vencer, mas sempre deu para quebrar o ciclo negativo, com uma exibição de garra a justificar muito mais do que um simples ponto.

Lorena Santana foi (obviamente) distinguida com o prémio destinado à Mulher do Jogo, conquistando o segundo troféu individual da temporada, depois do brilharete diante do Clube de Albergaria, com os dois golos da vitória logo na 1.ª jornada.
Foi também uma lição de resiliência e (mais) um teste à capacidade de superação das ourienses, forçadas a correr atrás do resultado e a recuperar de três desvantagens no mesmo jogo. Pelo meio, houve ainda duas bolas sacadas em cima da linha de golo, que bem poderiam ter valido ao Atlético a segunda vitória na Liga BPI.
Na próxima jornada, o Atlético volta (finalmente) a Ourém, depois de três rondas a jogar fora de casa. Pela frente, as ourienses terão o Damaiense, atual 5.º classificado, com 12 pontos.




