


Ourém, 7 de junho de 2014. Vários autocarros, dezenas de carros, centenas de pessoas, um só destino: Estádio Nacional. O Clube Atlético Ouriense disputa a final da Taça de Portugal pela primeira vez. É dia de festa. Foi dia de festa. Será sempre dia de festa para o desporto oureense.

Há dez anos, Filipa Rodrigues puxou a culatra atrás e disparou um pontapé para a história. A então central do Atlético atirou a contar em cima do intervalo, o resultado não voltou a mexer e as oureenses saíram em festa do Jamor.
Dias depois de ter voltado a sagrar-se Campeão Nacional da 1.ª Divisão, o Clube Atlético Ouriense ofereceu a famosa e tão especial ‘dobradinha’ aos seus adeptos, ao conquistar a Taça de Portugal, sob o comando técnico de Marco Ramos, na presidência de João Sousa.

A mata nacional do Jamor foi ponto de romaria, concentrando em si milhares de oureenses. Entre os que partiram de cá e aqueles que escolheram lá juntar-se, foi tremenda a festa. Antes e depois do jogo, comeram-se quilos de bifanas… e beberam-se litros de vinho e cerveja. Como manda a boa tradição do Jamor, claro está.
As capitãs Ana Valinho e Mafalda Baptista subiram à tribuna para erguer o troféu, antes de envolverem todo o plantel numa celebração verdadeiramente inesquecível. Petra Niceia, Joana Marchão, Tita, Inês Cruz, Fátima Pinto, Margarida Pisco, Mariana Coelho, Diana Silva e Flávia Fartaria foram alguns dos pilares de um plantel onde também pontificavam Daniela Pereira, Catarina Rodrigues, Naná, Maria Inês Reis, Bárbara Pragana, Tininha, Martina Pereira, Jéssica Pastilha, Ana Cláudia, Manaus, entre outras.

O ‘show das poderosas’ durou 90 minutos mas a proeza alcançada naquele palco histórico vai perdurar para sempre nos anais da história do Concelho de Ourém. “A história não se apaga”, sublinhou o Clube Atlético Ouriense, também esta quinta-feira, assinalando o 10.º aniversário sobre esta conquista.
O futebol feminino português mudou radicalmente, na última década. Surgiram Sporting, Braga e Benfica e o panorama alterou-se por completo. Convém recordar que os tempos áureos do Atlético Ouriense aconteceram numa era igualmente desafiadora.

Afinal, foi o emblema da Caridade que quebrou em definitivo a hegemonia do então poderoso 1.º Dezembro, formação sintrense que foi consecutivamente campeão nacional durante 12 (!) temporadas, até ao dia em que tombou com estrondo em plena Caridade.
Dez anos depois, o cenário já não é tão animador. O Clube Atlético Ouriense acaba de ser despromovido ao Campeonato Nacional da 2.ª Divisão, depois de 11 presenças no escalão máximo e seis temporadas consecutivas a jogar a Liga BPI.








