
No primeiro de dois confrontos no espaço de uma semana, levou a melhor o Centro Desportivo de Fátima, que venceu o Clube Atlético Ouriense no único destes dois Derby de Ourém sem margem para erro.
A jogar fora mas fortemente apoiado por centenas de adeptos, os fatimenses vieram a Ourém reservar um lugar nos quartos de final da Taça do Ribatejo, depois de vencerem a eliminatória no desempate por grandes penalidades.
O Centro Desportivo ganhou vantagem na primeira parte, mas o Atlético empatou nos descontos da segunda. Sem direito a prolongamento, o Derby de Ourém seguiu para penáltis.
Os guarda-redes deram o seu contributo, rivalizando no prémio para o melhor em campo. Manuel Sousa esteve em grande, mais foi Francisco Silva quem mais brilhou. Depois de o guardião ter impedido o primeiro penalty fatimense, o keeper do Fátima travou as tentativas de Gameiro e Dino, contribuindo decisivamente para o sucesso dos visitantes.
Para trás ficaram 90 minutos de equilíbrio e um duelo insonso. Intensidade só mesmo em torno do relvado: centenas de adeptos de ambos os clubes esgotaram a bancada e o peão da Caridade, rivalizando saudavelmente no primeiro de dois confrontos no espaço de uma semana.
A história do jogo? Começamos pelo princípio: o Atlético Ouriense deu tudo num minuto, mas não ganhou avanço em nenhuma das três ocasiões flagrantes de que dispôs, no espaço de 60 segundos: primeiro, Gameiro andou perto do golo, mas cabeceou ao lado, na sequência de uma jogada de insistência; segundos depois, João Vieira acertou na mancha de Francisco Silva, só com o guardião pela frente; logo a seguir, Dino levou um remate acrobático a rasar a trave, para desespero dos adeptos da casa. Foi ali entre os minutos 17 e 18 que a coisa aqueceu. Mas depressa esfriou.

O Centro Desportivo abanou, recompôs-se… e atirou a contar. Cinco minutos depois de ter esbanjado uma assistência de luxo do capitão Afonso, Francisco Branco colocou o Fátima em vantagem, inaugurando o marcador aos 27’, depois de se isolar na cara de Manuel Sousa.
O lance deixou os fatimenses em festa e os oureenses à beira de um ataque de nervos, com Artur a garantir que o avançado só se isolou porque o derrubou. O árbitro João Fonseca não foi da mesma opinião e o assistente Miguel Carreira também não identificou qualquer irregularidade.

Fátima na frente e Atlético obrigado a fazer pela vida. A turma da casa soltou-se, lançou-se no ataque, mas nunca criou perigo efetivo, apesar do domínio (consentido).
Aliás, a melhor oportunidade da 2.ª parte foi para os visitantes, numa altura em que os anfitriães já só tinham olhos para a baliza adversária. Aos 67 minutos, valeu Manuel Sousa, a travar uma tentativa de Lucas Oliveira, jovem fatimense que entrou com Martim Santos, aos 58’, para fazerem… a cabeça em água à defesa do Atlético. Apesar de recuado, o Fátima manteve sempre o rival em sentido, graças à irreverência desta dupla atacante.

Martim também esteve perto de aumentar a vantagem, aos 74 minutos, mas Manuel Sousa voltou a voar para manter o Atlético ligado à eliminatória.
Na outra baliza, Francisco Silva também lançou duas candidaturas à defesa da tarde: um voo para afastar um cabeceamento de Luís Silva junto ao poste; outro para desviar para a trave mais uma tentativa rival.
Em cima do vizinho mas sem conseguir empatar, o Atlético salvou-se com uma bola parada de Francisco Frazão. Corria o terceiro minuto dos nove de compensação, quando o lateral canhoto transformou um cruzamento num remate, traiçoeiro q.b. para embrulhar Francisco Silva e dois companheiros de equipa, num choque suficiente para abrir caminho ao empate. O guardião fatimense ainda tocou na bola, mas não foi tirado do lance pelos próprios colegas de equipas.

O duelo ganhou vida e só não escapou ao penalties porque Vieirinha desperdiçou uma boa ocasião para devolver o Fátima à vantagem, num dos últimos lances da partida.
Vais tu, vou eu, Atlético e Centro Desportivo elegeram os batedores e confiaram nos guarda-redes. Sousa foi o primeiro a celebrar, travando o penalty de Martim Santos. Frazão não vacilou e colocou a equipa da casa na frente.

João Leal marcou… e mandou calar os adeptos da casa enquanto apontava ao símbolo no seu peito; Tico também. Dinis Almeida não facilitou… e Francisco Silva travou o penalty de Gameiro. Tudo empatado, ao final de três tiros para cada lado. Marcelo colocou o Fátima na frente, mas Renato Gil logo empatou. Vieirinha avançou para o quinto penalty com confiança, iludiu Manuel Sousa e piscou o olho ao seu guarda-redes.

Sorte ou morte. O capitão Dino avançou consciente da responsabilidade, mas não conseguiu bater Francisco Silva. O guardião defendeu pela segunda vez, somando mais uma intervenção de luxo a uma exibição de alto calibre. Festa na Caridade. Do Fátima, vencedor do primeiro destes dois Derby de Ourém, o único com valor acrescentado.
Domingo, há mais. Mas é a feijões. Clube Atlético Ouriense e Centro Desportivo de Fátima (re)encontram-se no Adelino dos Santos Júnior, na 25.ª jornada do Campeonato Distrital da 1.ª Divisão. A equipa da casa leva 1 ponto de avanço e o objetivo da manutenção é uma questão de tempo para ambas as formações.









